27/11/2004 11:20
CARTAGO. RORAIMAS. ROMARIAS.
O tempo, o espaço, a vida. É relativo?
Barca, que com barcos trilha rumos.
Borboleta voa na brisa do desconhecido
Borboleta sonha sonhos já conhecidos.
A saga que inicia com uma caçada,
Guerreiro que prova seu valor e lealdade.
Um viajante escreve historias já traçadas,
Vivendo sentimentos de coragem e verdade.
O sangue que corre nas veias
Um bastando por necessidade, por proteção.
Será a evolução, revolução de idéias?
Ou será o amor a essência do coração.
Fatos do passado são revelados,
Perseguições e provações por sofrer,
Independente do quadrante desejado
As estrelas permanecem ou meu ver.
O final da saga do guerreiro não vou conhecer,
Melhor assim, o saber é perigoso.
Subestimem-me! Esperem tudo acontecer,
O presente é o que me basta.
Ricardo Papillon
enviada por Ricardo Papillon
18/11/2004 19:03
BOTECO TAMBÉM É CULTURA! (A RESPOSTA)
ATENÇÃO!!! É ESTRITAMENTE IMPORTANTE QUE ANTES DE LER "BOTECO TAMBÉM É CULTURA!(A RESPOSTA)", DEVE-SE CONHECER "BOTECO TAMBÉM É CULTURA (A CHARADA)", QUE FOI POSTADA ANTERIORMENTE A ESTE POST!
Vendo que meus amigos não conseguiam encontrar uma solução, por alegarem que a primeira viagem já seria impossível, devido a limitação de dois itens por vez, onde sempre ficariam ou o cachorro com um saco de arroz e galinhas, ou galinhas com saco de arroz, o que tornaria impossível a resolução da charada. Mesmo lembrando meus digníssimos companheiros de que deveriam pensar REDONDO e não QUADRADO para responder o enigma, eles não conseguiam chegar a um raciocínio final. Eis que eu revelei o segredo da charada: Bom, para resolver esta questão considerando cada galinha e cada saco de arroz como uma unidade, tendo que atravessar o rio com apenas duas unidades por vez, sem deixar que o cachorro coma as galinhas e o arroz, e que as galinhas comam o arroz, em apenas três viagens, é necessário, em primeiro lugar, esvaziar um saco de arroz, colocando todas as galinhas dentro dele, tornando assim este saco com as três galinhas uma única unidade. Então atravessa-se o rio com o saco de arroz preenchido pelas galinhas e o cachorro, para que o mesmo não coma o arroz despejado e o outro saco de arroz que não podem ainda serem levados. Chegando a outra margem (e completando a primeira viagem), deixa-se o saco com as galinhas, e retorna-se com o cachorro, para que não coma as galinhas que estão dentro do saco (pois está claro que o cachorro pode rasgar o saco). Chegando ao ponto inicial, pega-se o outro saco de arroz e atravessa novamente o rio juntamente com o cachorro, deixando o arroz despejado ainda na margem inicial. Chegando com o cachorro e o saco de arroz na outra margem completa-se a segunda viagem. Agora despeja o arroz, e com o saco vazio, junto do cachorro, retorna a margem inicial. É certo que do outro lado do rio, onde se encontram o saco com as três galinhas e o arroz despejado, nada irá acontecer, pois as galinhas não podem sair do saco (que está bem amarrado) para irem comer o arroz, podendo assim os dois itens permanecerem juntos sem a presença do agricultor. Chegando na margem inicial o agricultor irá depositar o arroz despejado no chão com o saco vazio do arroz que está despejado na outra margem do rio. E assim, pela última e terceira vez, o agricultor, o cachorro e o saco de arroz atravessam o rio. Chegando na margem oposta, o agricultor liberta as galinhas do saco, e coloca nele o arroz que lá estava despejado! Assim o agricultor, seu fiel cachorro, os dois sacos de arroz e as três galinhas seguem felizes para a feira da cidade. Agora como ele conseguiu levar tudo isto sem a carroça que deixou do outro lado do rio, já fica para uma outra história!
Ricardo Papillon
enviada por Ricardo Papillon
08/11/2004 13:03
BOTECO TAMBÉM É CULTURA! (A CHARADA)
Estava eu e meus amigos Joachim e Nilton Barth tomando uma gelada no Bar da Loura. Falávamos sobre a empresa em que trabalhamos, planejamos viagens, lembramos de alguma final do Brasileirão, quando Joachim, de súbito, iniciou uma jornada de adivinhações: O que Adão e Eva não têm que todos os outros seres humanos têm? Intrigante questão. Realmente por mais que eu e o Nilton pensássemos, não conseguíamos encontrar a solução. Foram duas rodadas de cerveja sem respostas, e eu já me sentindo um pouco incomodado com a cena de Joachim se divertindo com o nosso dilema. Mas por fim ele revelou a resposta: Oras, o umbigo! Adão e Eva não possuem umbigo, pois Adão veio do barro, e Eva saiu da costela de Adão. Como não foram gerados por gestação não possuem umbigo, ao contrário de todos os seus descendentes. Realmente muito óbvio, eu pensei. Joachim se empolgou e lançou mais um desafio, um tanto quanto difícil entender, por ainda não dominar bem o português e ser de naturalidade alemã. O enigma que ele propôs era um pouco complexo: Um agricultor iria vender na feira da cidade produtos provenientes de sua chácara. Levava com ele seu fiel cachorro, dois sacos de 50kg de arroz e três galinhas. Em um determinado ponto da estrada não se podia passar com a carroça, por não haver ponte para cruzar o rio. Existia um barco para fazer a travessia naquele determinado ponto, no entanto o agricultor poderia atravessar somente duas unidades de cada vez. Mas ele não poderia deixar o cachorro sozinho junto das galinhas e dos sacos de arroz porque o mesmo comeria a mercadoria do agricultor. Também não poderia deixar as galinhas sozinhas com os sacos de arroz, porque as mesmas comeriam o arroz. Ficou claro que na presença do agricultor nada aconteceria, porém somente na presença dele. Como resolver este problema com o mínimo possível de viagens? Interessante o desafio. Tanto eu quanto o Nilton não encontrávamos uma solução. Joachim mais uma vez pressionava, certo de que ninguém iria descobrir a resposta. Eis que eu me pronuncio: Descobri a resposta!, Bom Ricardo. Mas você tem que em primeiro lugar me dizer o número mínimo de viagens que o agricultor tem que dar para atravessar todos os produtos e o cachorro., e eu convicto respondi que seriam realizadas três viagens. De súbito Joachim balançou a cabeça de forma negativa dizendo que eu estava errado, pois seriam necessárias somente duas viagens. Impossível!, eu disse com firmeza. Joachim então se depôs a explicar o enigma: Ricardo, primeiro ele leva no barco o cachorro junto com as galinhas, deixa as galinhas na outra margem e volta com o cachorro para buscar os sacos de arroz, voltando assim com os sacos e o cachorro para a outra margem onde já se encontram as galinhas, completando a travessia em duas viagens! Muito fácil Ricardo. A partir deste momento eu não entendi mais nada, e imediatamente contestei sua resolução: Existe um pequeno problema meu caro amigo Joachim. Quando você me explicou o problema não deixou totalmente claro o que seria de fato uma unidade. Se era o grupo de produtos, como os dois sacos de arroz, as três galinhas, e o cachorro, ou se cada galinha, e cada saco de arroz fosse uma unidade, ou seja, que o agricultor só poderia atravessar o rio levando de cada vez no barco ou com uma galinha e um saco de arroz, deixando para trás duas galinhas, o cachorro e um saco de arroz. Joachim iniciou um acesso de riso frenético, como que me ridicularizando por ter entendido errado o problema, mas bruscamente ele para de sorrir e sua face assume aspecto de assombro: Você falou anteriormente, Ricardo, que mesmo tendo entendido desta forma você encontrou a solução com apenas três viagens?. Neste momento eu abri um sorriso de satisfação e disse: Exatamente meus amigos. Tentem resolver esta questão considerando cada galinha e cada saco de arroz como uma unidade. Tendo que atravessar o rio com apenas duas unidades por vez, sem deixar que o cachorro coma as galinhas e o arroz, e que as galinhas comam o arroz, em apenas três viagens!
OBS.: RESPOSTA DA CHARADA NO PRÓXIMO POST.
Ricardo Papillon
enviada por Ricardo Papillon
23/06/2004 01:10
VIAJANTE DE TORMENTAS
O vento bate no rosto de forma cortante,
A poeira cegando os olhos, secando a garganta,
Cada passo pesa para o viajante,
O passado passo a passo não passa de lembranças...
Estranhezas acontecem nas estradas,
Como uma linda rosa verde embelezar,
Bem no meio da rodagem do pisante,
Destaca-se mais que tudo no lugar.
O peregrino desconhece a beleza,
Acostumado com feridas a sangrar,
Não percebe a sua grande aspereza,
Que na linda rosa veio a pisar.
Já então quando veio a perceber,
Vendo a linda rosa quase a desfalecer,
Onde era muito tarde pra entender,
Que a rosa sempre lá estava a viver.
Uma névoa encobriu toda a sua face,
As tormentas aumentaram de tamanho,
Sem saber como agir ante a garfe
Prostrando-se na vergonha desumana.
Atitude veio tarde mas não tardou,
Com cuidados foi a rosa consolar
Com os espinhos que nela existiam
Muita dor resistiu para ajudar.
Mas a rosa de conforto precisava,
E de água pura para poder vigorar,
Sem pensar saiu pela estrada afora
Para o líquido precioso encontrar.
Varou serras, montanhas e abismos,
Enfrentou feras, maus espíritos e peçonhas,
Passou frio, fome, sede e sintomas,
De um corpo se entregando sem vencer.
Mas de longe avistou um igarapé,
Que de água cristalina reluzia,
E do fundo surge um Mago a avisar
Que da água só um pode se saciar.
Fez a escolha penitente para o espírito,
Pois a sede envolvia o seu ser,
A lembrança da bela rosa a desfalecer
Resolveu logo então o seu dever.
Entre as mãos depositou o mel precioso,
Em viagem retornou a se apressar,
Pois o tempo para perdão era curto,
E a consciência pesava a enfadar.
Sem forças avistou depois de dias,
O local onde antes aconteceu,
O encontro com a bela e linda rosa
E correndo foi agradecendo a Deus..
Lá chegando uma surpresa inesperada,
Estava a rosa toda linda e formada,
E de longe ia um grande imigrante
Que cuidou de suas feridas com prazer.
O viajante de tormentas e desprezos,
Cujo passado não trazia segurança,
Não possuía nem história e nem preparo,
Para que no caminho um imprevisto resolver.
O final da viagem é triste e penosa,
Aonde ao luar veio o viajante a falecer,
Pois a vergonha lhe tirou todas as forças
De levar as mãos à boca e da água ele beber.
Ricardo Papillon
enviada por Ricardo Papillon
03/06/2004 02:00
GARIMPEIRO
- Mãe! Vou para o garimpo. fala João entrando em casa com um pacote na mão.
- Que conversa é esta meu filho? disse Dona Genoveva da cozinha, com tom de brincadeira.
- Estou falando sério, Mãe. Já até retirei minha poupança do banco. fala João indo ao encontro da mãe Já completei dezoito anos e quero trabalhar. Há algum tempo eu venho conversando com Seu Chico Sete, e sempre gostei das suas histórias de garimpo. Bom, um dia desse ele me disse que estava indo para um garimpo de diamante no interior do Mato Grosso, e eu decidi ir junto com ele. É a minha grande chance de ficar rico e dar uma boa vida para a senhora Mãe!
- Mas filho! fala Dona Genoveva com apreensão Seu Chico Sete já tem muita experiência nesta vida, e todo mundo sabe que as histórias dele sempre mostram que estes lugares são repletos de violência, e muitas doenças.
- Não se preocupe Mãe. Eu vou me dar bem. Afinal de contas Seu Chico Sete teve sua primeira experiência no garimpo para poder hoje ser entendido no assunto. Em três meses estou voltando com tanto dinheiro que a senhora nunca mais vai precisar lavar roupa pra fora! Tchau Mãe. João abraça a mãe, que com lágrima nos olhos se despede do filho único. No portão de entrada da casa Seu Chico Sete já estava a espera dele. Os dois seguem rumo a rodoviária para pegar um ônibus até a capital.
- Seu Chico. Tem certeza que a viagem de barco até Mato Grosso é segura? Nunca viajei em uma distância tão longa assim de barco. fala preocupado João.
- Não se preocupe João. Além de ser uma viagem muito barata, também é divertida. Rola forró e cachaça o tempo todo, e poderemos saber de outros garimpeiros quais são os melhores locais para garimpar.
Durante três dias os dois viajantes subiram o rio, regados a muita cachaça e dança. Conheceram outros garimpeiros que buscavam enriquecer com diamante. Uns contavam mentiras e gabações espetaculares. Outros eram reservados em relação ao destino que estavam buscando, para não despertar a curiosidade de outros concorrentes. Por fim Seu Chico e João decidiram em rumar para o garimpo da Mata Fechada, popular pela fartura em pedras preciosas, mas considerado território para homens duros e espertos, devido a constante luta por território e poder. Desembarcaram em um lugarejo cerca de quinhentos quilômetros do garimpo:
- Daqui vamos pegar um avião! - disse Seu Chico É a única maneira de se chegar até lá. Mas não se preocupe, já fiz várias vezes esta viagem de avião. Na primeira vez dá um frio na barriga, mas depois a gente se acostuma. Além do mais ouvi dizer que Preto Vesgo costuma fazer esta rota. Conheço ele, é um ótimo piloto.
Os dois acertaram o frete e embarcaram no avião surrado e maltratado de Preto Vesgo. O avião era tão repugnante, que qualquer vivente teria pânico em embarcar nele. João olhava admirado pela janela do avião. A paisagem era de mata fechada e muitos rios e igarapés. Depois de alguns minutos ele percebeu uma clareira na mata, era a pista de pouso. Como estava no período de chuvas, o avião deu umas derrapadas no pouso. João saiu da aeronave completamente branco de medo, e Seu Chico fez muitas brincadeiras com o acontecido.
- Agora teremos que andar três horas pela mata até chegar na currutela! disse Seu Chico - É provável que cheguemos lá ao escurecer. Mas não se preocupe, já me informaram que na vila tem energia elétrica gerada por motores a diesel.
João agora se dava conta do que estava acontecendo. Realmente estava em um garimpo. Imaginava diamantes enormes e muita fartura. Estava maravilhado com a sensação que vivenciava. Quando eles chegaram na currutela, João se espantou com o que via. Muitos barracos feitos de lona, alguns de madeira, um formigueiro de garimpeiros indo e vindo, bêbados, falando alto, muitas mulheres sentadas no colo dos garimpeiros que tiveram sorte no dia. Estava de boca aberta:
- João! falou Seu Chico Fique aqui que eu vou encontrar trabalho. Provavelmente só acharemos serviço de bater terra no barranco, pois somos novatos. É um trabalho duro, mas é o começo. Depois vou encontrar um local para dormirmos por hoje. Não saia daqui.
João encostou-se em um bar e pediu refrigerante. De repente começou uma confusão em um dos bordeis da currutela. A disputa era pela melhor prostituta da vila. Dois grupos de diferentes empreiteiros acabaram entrando em conflito, e os tiros de revolveres e espingardas soavam alto. João ficou assustado de início, mas percebeu que as outras pessoas que andavam pela currutela agiam como se nada tivesse acontecendo. Muitos homens saíram correndo do bordel, seguidos por garimpeiros atirando sem piedade. Depois que tudo se acalmou estavam vários corpos estendidos no chão.
Todas as vezes que um episódio destes acontecia, o serviço funerário era solicitado, que tinha como função recolher os corpos e alugar um avião para levá-los até a cidade. O responsável por estes serviços era Pedro do Caixão. Enquanto Pedro do Caixão fazia a contagem dos corpos, Severino da Carabina se aproxima e pergunta:
- E aí Caixão? Fechou a cota?
- Faltam ainda dois defuntos. falou brincando Pedro do Caixão.
- Então deixe que eu resolvo o problema! Severino da Carabina saiu cambaleando de bêbado, atravessou a rua, olhou em volta, puxou o revolve trinta e oito, apontou para o rosto do João e puxou o gatilho.
Ricardo Papillon
enviada por Ricardo Papillon
29/05/2004 00:57
COCA MALDITA
Ricardo já tinha dezesseis anos quando iniciou sua vida boêmia. Antes de sua transformação se dedicava completamente à leitura e a sua grande paixão, o xadrez. Mas com a puberdade já aflorada o inevitável passou a ocorrer. Saia na noite e sentia uma necessidade constante de experimentar novas experiências.
Certo dia estava ele no restaurante Italiano, o ponto de encontro preferido dos jovens iratienses, e em um momento Chupão seu primo degenerado e evitado até então, aparece no local. Ricardo, de forma convidativa, fez uma grande reverencia ao seu primo, com o intuito de se aproximar e iniciar um relacionamento alternativo. Chupão era considerado um parasita na sociedade daquela cidade, tinha dezenove anos e fora internado em uma clinica de viciados de entorpecentes, por uso de gândia e farinha. Ricardo, que uma semana antes vivenciara seu primeiro contato com a gândia, tinha o intuito de se entrosar com a galera, e assim ser aceito na tribo dos malucos que agora passava a admirar. Chupão sentou-se ao lado de Ricardo e iniciaram uma prosa sem importância, até que Chupão, de forma discreta e audaciosa, o convidou a fumar. Ricardo sentiu seu coração palpitar com rapidez, suas mãos começam a suar, e sem relutar começaram uma caminhada até a linha de trêm. Cada passo que Ricardo dava sentia que estava praticando uma grande imprudência, se sentiam um fora da lei, tinha vontade de desistir mas não queria ser ridicularizado e conseqüentemente acabar com suas chances de provar que era corajoso.
Atrás de um monte de mourões Chupão tratou a parada e começaram a fumar. Com certeza aquele fumo era forte, pois depois de algumas baforadas Ricardo teve a sensação de estar em um mundo paralelo. O rosto do Chupão, quando inalava a fumaça parecia formar uma visão de uma caveira, um esqueleto vivo.
No caminho de volta Ricardo teve um acesso de riso nunca vivenciado, fazendo com que Chupão ficasse preocupado que ele denunciasse a infração cometida. Porém, com muito controle Ricardo conseguiu se acalmar. Até que Chupão perguntou:
- Meus olhos estão vermelhos? Ricardo de súbito entrou em um estado frenético de riso, não conseguia falar, chegando a se babar todo. Chupão admirado, iniciou o mesmo ritmo de riso, mas pelo espetáculo de ver seu companheiro de forma lesada:
- Como posso ver se seus olhos estão vermelhos... disse Ricardo depois de cinco minutos Pois aqui está totalmente escuro! Depois de muito riso e comentários bobos, os dois retornam ao restaurante Italiano. Sentaram-se em um banco e admiram o movimento de pessoas e carros. De repente Chupão começou a se comportar de forma estranha. Algo o perturbava, se retorcia e olhava com os cantos dos olhos constantemente, até que abordou Ricardo:
- Cara. Você tem dinheiro aí? Ricardo presentiu que algo estava por vir. Aquela pergunta foi um tanto misteriosa. De fato Ricardo possuía dez reais, mas sempre ouvia dizer que todo viciado acabava até o último tostão com as nóias. Sabia que algo muito surpreendente iria acontecer, mas respondeu:
- Tenho dez reais. Chupão olhou para os lados, abaixou a cabeça, alguns segundos se passam e ele falou:
- Bom. Está a fim de coca? Ricardo estremeceu da cabeça aos pés. Não imaginava aquela proposta. Não naquela hora. Ele sabia que aquilo era a perdição, completamente inaceitável, queria recusar, mas tinha medo, a reação do Chupão seria imprevisível, e ao mesmo tempo não queria parecer infantil, fraco, mas sabia que poderia pagar um preço altíssimo. A apreensão dele chegou a ponto de não saber mais o que pensar, e com um sinal de cabeça aceitou o convite. Chupão de súbito se levantou e andou de forma tranqüila pela calçada. Ricardo vinha pensando o quanto estava sendo idiota, o quanto era fraco. Pensava constantemente em seus pais, na sua tia avô, e se sentiu a escória. No entanto sentia que devia mostrar entrosamento e conhecimento, para pelo menos não ser tratado como um iniciante:
- Chupão! Onde estamos indo comprar?
- No Bar do Paulo. respondeu ele friamente e direto. Ricardo ficou admirado, nunca imaginou que o Bar do Paulo fosse uma boca, passou a infância comprando doces e chiclete naquele bar, mas não queria mostrar uma suposta desinformação:
- Olha Chupão, você sabe que eu moro no bairro Rio Bonito, falou Ricardo com firmeza e realmente eu não sei dos contatos aqui do centro da cidade. Mas eu nunca imaginei que no Bar do Paulo vendesse coca!
Chupão para de andar de forma súbita. Um olhar confuso e questionador é lançado para o Ricardo. E então Chupão fala admirado:
- Como não? Faz sete anos que eu compro coca-cola no Bar do Paulo?! - De repente os dois entendem o que estava acontecendo. O grande engano da parte de Ricardo, e de uma forma muito intensa os dois caem na risada. Ricardo não conseguia se controlar, cada passo que eles davam em direção ao Bar do Paulo ele lembrava do seu grande erro de interpretação, fazendo com que Chupão entrasse em transe juntamente. Até que Ricardo faz uma proposta que solucionaria a situação:
- Chupão, por favor! Não peça coca, peça fanta! Eu não vou conseguir me segurar no bar se você pedir coca! Por favor!
- Está bem Ricardo. Vou pedir fanta. Chegando no bar, Ricardo morde os lábios segurando o riso e Chupão se dirige ao balcão, e pede para o Senhor Paulo:
- Tem fanta?
E o Senhor Paulo responde:
- Não, só coca!
Ricardo Papillon
enviada por Ricardo Papillon
28/05/2004 16:52
HOJE COMEÇAM MINHAS FÉRIAS! ISTO QUER DIZER QUE O MOMENTO CHEGOU! OU EU TERMINO O LIVRO AULA DE HISTORIA - PONTO DE EVOLUÇÃO, OU EU TERMINO O LIVRO! ESTAREI, DE AGORA EM DIANTE, RELATANDO TODOS OS PASSOS DA EVOLUÇÃO DO LIVRO, RESUMO DE PERSONAGENS, COMENTÁRIOS CRÍTICOS DE ESPECIALISTAS EM CRITICAR (MEUS AMIGOS E FAMÍLIA) ALÉM DE PEDIR A OPINIÃO DO INTERNAUTA QUE VISITA MEU BLIG (É CLARO!) ! POR ISTO, FIQUEM ATENTOS NOS DIAS QUE VIRÃO!
Ricardo Papillon
enviada por Ricardo Papillon
21/05/2004 01:04
VOCÊS CONHECEM MANU CHAO?
Manu Chao é um grande artista. A origem dele é confusa, podemos dizer que é cidadão do mundo! Cigano, artista, anarquista, poeta... Bom! Não importa! Confiram aí um dos grandes trabalhos dele!
CLANDESTINO
Solo voy con mi pena
sola va mi condena
correr es mi destino
para burlar la ley
Perdido en el corazón
de la grande babylon
me dicen el clandestino
por no llevar papel.
Pa´una ciudad del norte
yo me fui a trabajar
mi vida la deje
entre Ceuta y Gibraltar
Soy una raya en el mar
fantasma en la ciudad
mi vida va prohibida
dice la autoridad.
Solo voy con mi pena
sola va mi condena
correr es mi destino
por no llevar papel
Perdido en el corazón
de la grande babylon
me dicen el clandestino
yo soy el que quiebra ley.
Mano Negra clandestina
peruano clandestino
africano clandestino
marijuana ilegal.
Solo voy con mi pena
sola va mi condena
correr es mi destino
para burlar la ley
Perdido en el corazón
de la grande babylon
me dicen el clandestino
por no llevar papel.
Argelino clandestino
Nigeriano clandestino
Boliviano clandestino
Mano Negra ilegal
Quem quiser curtir Manu Caho é só acessar www.manuchao.net !
Ricardo Papillon
enviada por Ricardo Papillon
17/05/2004 17:19
Tá fumando, Cabra?
O cerco já durava quatro dias no sertão do Ceará. Lampião e seu bando estavam a ponto de serem encurralados de vez:
- Tripa Seca! gritou Lampião para seu jagunço de maior confiança Os volantes já estão dominando a situação. Qual sua sugestão neste momento?
- Capitão, - fala com orgulho Tripa Seca Sacrifiquemos dez de nossos homens e poderemos abrir uma brecha no cerco e enganar os macacos!
Lampião tinha muito respeito em Tripa Seca, menino muito novo, mas com uma valentia e inteligência característica. Tripa Seca deixara a cidade de Salvador em busca de um propósito, ser um dos jagunços do bando de Lampião, mas nem em suas pretensões mais otimistas nunca se imaginara sendo um dos cabuetas de estima do grande Capitão.
- Já tinha pensado nisto. disse Lampião com um sorriso no canto dos lábios Escolha os melhores homens e explique a situação. Diga que eles terão uma morte honrada, pois salvarão todo o grupo.
E assim foi feito, Tripa arquitetou todo o plano e os cangaceiros, sem hesitação, cumpriram o plano com bravura e perfeição, surpreendendo os soldados com um ataque frontal e suicida, proporcionando uma cobertura espetacular e cinematográfica para a fuga do bando de Lampião. Mas os bravos cangaceiros não eliminaram o pelotão e o Comandante do mesmo, ao perceber a tática eficaz, saiu furioso na captura do bando, mas determinado do que nunca. O bando de Lampião conhecia na palma da mão a caatinga desde Ceará até a Bahia. No entanto o número de soldados que vinham em seu encalço eram sete vezes maior, tornando muito difícil a fuga sem deixar rastros pela mata.
Vinte dias já se passavam desde que o bando de Lampião permanecia escondido no meio da caatinga, sem contato algum com os lugarejos e fazendas da região. A água cada vez mais se tornava mais do que vital e sim um desafio, pois não podiam desfrutar dos raros riachos e açudes para não denunciar o percurso, ou até mesmo a posição em tempo de permanência. Comida era, além de uma raridade, muito característica. Palma forrageira, fruto de mandacaru e xiquexique. Tudo ao natural, sem ao menos cozinhar, para não levantar suspeitas com a fumaça das fogueiras. Mas o que mais assolavam os cangaceiros era a falta de fumo. Já no período do cerco o fumo já estava escasso, além dos fósforos que já tinham acabado, e sem fogueira para acender o pouco do fumo que restava se tornava impossível dar boas baforadas. Muitos tentaram acender com pólvora os cigarros, mas acabavam queimando o rosto com a explosão da mesma. Apesar do apelo da maioria, a ordem do Lampião era de não tentar acender fogueiras, para não correrem o risco de denunciar a posição do grupo. Quanto em bebida alcoólica para alguns era suportável. Mas fumo não, a cabroeira já estava enlouquecida.
Em certo momento, eis que surge um velhinho montado em um jumento, passando por uma clareira e degustando seu único brejeiro, aceso pelo último fósforo.
- Capitão! sussurrou Tripa Seca esta vendo aquele cabra fumando vindo pela clareira?
- Já, e sei o que você está pensando. Mas pode ser perigoso. Se aparecermos para ele e pedir fogo, poderemos ser denunciados da nossa posição caso os macacos encontrem ele depois. advertiu Lampião.
- Mas depois nós damos cabo dele! disse Tripa com ar de sadismo e aflição - Toda a cabroeira quer fumar!
- Pois que assim seja! finalizou Lampião. O bando todo ficou na tocaia, esperando a aproximação do pobre velhinho. Quando já estava a trinta passos todo o bando saiu da tocaia e tomou a clareira. O velhinho logo de súbito sabia que se tratava do bando de Lampião, pois a notícia de que todo os cangaceiros rondavam a região já era contada em todos os lugarejos. Com pressa o velhinho para seu jumento.
- Tá fumando, Cabra? disse Lampião. Com um salto o velhinho já estava no chão.
- Estou. Mas já estou apagando, meu Capitão! disse o velhinho pisando em cima do cigarro.
Ricardo Papillon
enviada por Ricardo Papillon
13/05/2004 18:52
TEORIA DO CAOS
O ser humano tende a buscar a evolução e perfeição. Este é o lema desde os tempos em que o ser humano iniciou a manipulação do fogo. Existe uma teoria sobre a evolução humana relacionada nas condições ao ambiente conjuntural. No território da África, a milhares de anos, todos os ancestrais do ser humano se alimentavam de vegetais e ovos, porém se viram em uma condição de escassez de alimento devido as condições climáticas. Não existiam vegetais suficientes para a alimentação, a seca castigava esse período. Muitos seres humanos e animais morriam aos montes. Porém, um determinado grupo de homo descobriu uma fonte rica em alimento. Com a manipulação de pedras eles quebravam os ossos de animais mortos e se alimentavam do tutano! As conseqüências deste ato foram definitivas para as gerações atuais, pois as proteínas contidas no tutano proporcionaram uma evolução do cérebro, dando a capacidade para estes seres de manipular o fogo e conquistar o mundo. Foi diante de uma situação de CAOS que se configurou um salto na evolução! E nos tempos atuais não é diferente.
Tomo a liberdade agora de ressaltar minha condição. Busco minha evolução, para que no futuro minhas gerações atinjam a perfeição. A vida me proporciona horizontes e metas a serem alcançadas, a serem concluídas. A NATUREZA faz parte da minha existência, do meu espírito. E a NATUREZA me proporciona momentos sábios de CAOS! Não se esqueçam que eu sou Punk, no entanto um Punk reformado pelo sistema. Porém minha essência é pura, e podem ter certeza que vou encarar o CAOS proporcionado pela NATUREZA. E sabem o que acontece na seqüência? Bom, deduzam vocês mesmos!
Ricardo Papillon
enviada por Ricardo Papillon
29/03/2004 17:47
Boa Vista, 05 de maio de 2004.
Infelizmente decidi parar de vez com as publicações de meus textos nesta ferramenta da Internet que se chama BLOG. Alguns vão se perguntar o por quê de minha parada. Bom, podem ter vários motivos: o fato de eu ter usado o blog como parâmetro de avaliação crítica do público leitor; a possibilidade de ter meus textos plagiados e registrados (casualmente possível); a falta de correção ortográfica e gramatical de meus textos, que para aquele leitor mais atento, meus trabalhos acabam se tornando um tanto quanto desagradáveis. Enfim, peço desculpas para todos aqueles que visitam e apreciam meu blog, mas fica a certeza de que provavelmente em um futuro bem próximo, farei o possível para publicar o livro AH-PE!
Obrigado a todos, e por favor, deixe seu último COMENTÁRIO!
Ricardo Papillon
enviada por Ricardo Papillon
20/03/2004 07:52
MEU FILHO NASCEU HOJE, E É LINDO, LINDO, LINDO E LINDO!!!!! ESTOU MUITO FELIZ, NÃO EXISTE FILOSOFIA, SEITA, DOGMAS, CRÍTICAS, PARÂMETROS, NADA, NADA PARA EXPRESSAR A ALEGRIA QUE ESTOU SENTINDO!!!
enviada por Ricardo Papillon
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