23/06/2004 01:10
VIAJANTE DE TORMENTAS
O vento bate no rosto de forma cortante,
A poeira cegando os olhos, secando a garganta,
Cada passo pesa para o viajante,
O passado passo a passo não passa de lembranças...
Estranhezas acontecem nas estradas,
Como uma linda rosa verde embelezar,
Bem no meio da rodagem do pisante,
Destaca-se mais que tudo no lugar.
O peregrino desconhece a beleza,
Acostumado com feridas a sangrar,
Não percebe a sua grande aspereza,
Que na linda rosa veio a pisar.
Já então quando veio a perceber,
Vendo a linda rosa quase a desfalecer,
Onde era muito tarde pra entender,
Que a rosa sempre lá estava a viver.
Uma névoa encobriu toda a sua face,
As tormentas aumentaram de tamanho,
Sem saber como agir ante a garfe
Prostrando-se na vergonha desumana.
Atitude veio tarde mas não tardou,
Com cuidados foi a rosa consolar
Com os espinhos que nela existiam
Muita dor resistiu para ajudar.
Mas a rosa de conforto precisava,
E de água pura para poder vigorar,
Sem pensar saiu pela estrada afora
Para o líquido precioso encontrar.
Varou serras, montanhas e abismos,
Enfrentou feras, maus espíritos e peçonhas,
Passou frio, fome, sede e sintomas,
De um corpo se entregando sem vencer.
Mas de longe avistou um igarapé,
Que de água cristalina reluzia,
E do fundo surge um Mago a avisar
Que da água só um pode se saciar.
Fez a escolha penitente para o espírito,
Pois a sede envolvia o seu ser,
A lembrança da bela rosa a desfalecer
Resolveu logo então o seu dever.
Entre as mãos depositou o mel precioso,
Em viagem retornou a se apressar,
Pois o tempo para perdão era curto,
E a consciência pesava a enfadar.
Sem forças avistou depois de dias,
O local onde antes aconteceu,
O encontro com a bela e linda rosa
E correndo foi agradecendo a Deus..
Lá chegando uma surpresa inesperada,
Estava a rosa toda linda e formada,
E de longe ia um grande imigrante
Que cuidou de suas feridas com prazer.
O viajante de tormentas e desprezos,
Cujo passado não trazia segurança,
Não possuía nem história e nem preparo,
Para que no caminho um imprevisto resolver.
O final da viagem é triste e penosa,
Aonde ao luar veio o viajante a falecer,
Pois a vergonha lhe tirou todas as forças
De levar as mãos à boca e da água ele beber.
Ricardo Papillon
enviada por Ricardo Papillon
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